Juventude Gileade
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Conteúdos de Estudo (Classe de Jovens) – Escola Bíblica 2009
Lição 05: “Fulano”
1. Revisando a aula passada....
Na última aula, nós falamos a respeito de três pessoas que, por motivo diferentes, encontraram-se com Jesus e tiveram suas vidas transformadas por Ele: a mulher samaritana, o oficial do governo judeu e o paralítico do tanque de Betesda. Cada uma à sua maneira, essas pessoas tinham necessidades diferentes que pareciam impossíveis de saciar. Entretanto, conforme o testemunho de João Batista em Jo 3: 34 – 35, o Pai deu a Jesus o Espírito sem limitações e colocou todas as coisas em suas mãos.
2. Leitura: João 6: 1 – 15
3. O problema
A fama de Jesus se espalhava tão rápido, que uma multidão se formava por onde quer que Ele passasse. As pessoas seguiam Jesus por toda parte (6:2 e 6:5). Lendo esses dois versículos, lembro as cenas que vi na TV quando Madonna esteve no Brasil recentemente. Havia centenas de pessoas acampadas do lado de fora do estádio onde seria o show, numa fila que se formou dias antes da apresentação da cantora. Os fãs estavam esperando pela chance de conseguir os lugares mais próximos ao palco, de onde pudessem ver Madonna de perto.
Lembro as imagens no jornal mostrando o estádio lotado... Um número gigantesco de espectadores! Imagino algo parecido com isso (em menores proporções) quando João diz que havia uma multidão se aproximando. Com um diferencial: as pessoas que buscavam por Jesus queriam ser curadas, queriam receber conforto, queriam ser perdoadas e libertas. E elas não precisavam pagar um centavo por isso! Além disso, no show da cantora pop, a artista tinha uma performance a executar, esperando aplausos do público. O máximo que ela pode oferecer foram algumas horas de entretenimento. Jesus tinha o pão da vida a oferecer e Ele sabia exatamente o que ia acontecer. Madonna não fazia ideia do que se passava na vida de seus fãs e provavelmente não se preocupou com isso enquanto se arrumava no camarim. Jesus conhecia a necessidade de cada pessoa naquele monte e mais: se importava com isso.
Em Mc 6: 34, a Bíblia conta que, ao ver a multidão se aproximando, Jesus teve compaixão das pessoas, porque elas eram “como ovelhas que não tem pastor”. Partiu dele a iniciativa de alimentar a multidão. O mais apaixonante sobre isso, é que Ele sabia o que fazer e como faria, mas resolve testar seus discípulos:
“Levantando os olhos e vendo a multidão que se aproximava, Jesus disse a Felipe: - Onde compraremos pão para esse povo comer? Fez essa pergunta apenas para pô-lo à prova, pois já tinha em mente o que ia fazer.” (Jo 6:5, 6) Note que Jesus não pediu dinheiro para comprar comida, Ele perguntou onde seria possível encontra-la. Ele tinha consciência de que não precisaria de dinheiro, mas de alguém que dispusesse de alimento. Porém, Felipe (assim como a maioria de nós) não conseguia enxergar a oportunidade para o milagre. Felipe viu o impedimento: “ – Duzentos denários não comprariam pão suficiente para que cada um recebesse um pedaço!” (vs. 7)
O denário era uma moeda de prata que correspondia a uma diária de um trabalhador braçal . Durante meus anos de faculdade, trabalhei como estagiária numa empresa de pesquisa agropecuária e tive contato com muitos trabalhadores rurais. A maioria deles ganhava cerca de trinta reais por dia. Considerando esse valor como uma referência, Felipe estava afirmando que seis mil reais não seriam suficientes para alimentar toda a multidão!
É nesse ponto que se manifesta André. Pra quem não lembra, André foi um dos primeiros discípulos de Jesus (leia Jo 1: 35 – 40). Ele timidamente fez um comentário que daria a Jesus a obra prima para o milagre. Quando André comenta que ali havia uma rapaz com cinco pães e dois peixes, ele mesmo descarta a possibilidade de saciar a fome da multidão (ver 6:9). André fala do lanche trazido pelo rapaz com desprezo e de cara dispensa a oferta. É então que Jesus mostra aos discípulos e a mais de cinco mil pessoas quem é o Deus do impossível.
4. A solução
Fiquei pensando sobre o tal rapaz que trouxe os pães e peixes. Uma das primeiras coisas que me chamou atenção é que a história da multiplicação dos pães é contada nos quatro evangelhos, mas apenas João menciona que os tais cinco pães e dois peixes foram trazidos por um rapaz. E ainda assim, nem mesmo João, que lembrou desse pequeno detalhe da história, cita o nome do rapaz. Além disso, os outros quatro evangelhos relatam que os discípulos afirmaram que eles tinham os cinco pães e dois peixes (ver Mt 14:17; Mc 6:38 e Lc 9: 13). Esses dois fatos me fizeram tirar algumas conclusões sobre o rapaz dos pães e peixes.
I O rapaz era um “Fulano”. Sabe aquele irmão que sempre está na igreja, senta sozinho no canto, não faz muitas amizades, é atento à pregação, participa de todas as atividades da igreja, mas é tão tímido que ninguém se lembra da sua voz ou sequer do seu nome? Acho que o rapaz dos pães era um desses. Em outras situações, a Bíblia cita personagens que atuaram em momentos marcantes e que ficaram com seus nomes registrados: Maria Madalena, Maria e Marta, Lázaro, José de Arimatéia, Nicodemos etc. Ninguém sabe o nome do rapaz que levou pães e peixes para o monte. Provavelmente porque ele não se destacou entre a multidão que seguia Jesus. Isso é o que eu chamo de “Fulano”.
II Esse Fulano devia estar próximo aos discípulos. Se os outros três evangelhos dizem que os discípulos é que tinham os pães e peixes, podemos concluir que o tal rapaz fazia parte do grupo de discípulos que acompanhavam Jesus. Entenda-se por discípulos o grupo de pessoas mais próximas que seguiam Jesus – não necessariamente os Doze.
III Ele era prevenido e trouxe consigo comida para permanecer longo tempo em companhia de Jesus.
IV Ele se dispôs a dividir o pouco que tinha com todos. A solução para a fome de pão (e de fé) da multidão que seguia Jesus não partiu de nenhum discípulo. Não foi Pedro com sua história da pesca maravilhosa, nem João que era tão íntimo do Senhor, nem de Mateus com sua experiência na cobrança de impostos. A multiplicação dos pães aconteceu por que um “fulano” colocou seu lanche da tarde na mãos do Criador do Universo.
5. O que isso tem a ver comigo?
Quantos de nós nos sentimos impotentes diante de um grande problema ou de uma trajédia? Quantas vezes percebemos que há pessoas precisando de ajuda e simplesmente damos as costas pensando “Mas o que eu posso fazer?”... Talvez você não seja famoso, nem rico. Talvez não seja conhecido por todos na sua igreja, nem seja popular na escola ou no trabalho. Mas você pode ser o fulano que vai dar a Jesus a obra prima do milagre! Veja algumas dicas de como fazer isso:
I. Esteja prevenido. Traga sempre comida com você. Lembre que estamos falando de comida espiritual. Oração e leitura bíblica vão providenciar pro seu coração muito mais que cinco pães e dois peixes.II. Quando perceber a oportunidade de ajudar faça! Se você for muito tímido ou não tiver como ajudar diretamente, procure quem possa. O fulano dos pães não foi diretamente a Jesus, mas chegou a Ele através de André.
III. Não desanime se alguém zombar do que você tem a oferecer. André não acreditou que o lanche do rapaz pudesse servir para alimentar a multidão. Mas Jesus sabia o poder que tem cinco pães e dois peixes nas mãos do Messias.
IV. Esteja disposto a compartilhar o pouco que tem. Já pensou se o rapaz tivesse escondido a comida com aquele pensamento bem conhecido nosso “É melhor garantir o meu”...
V. Não espere ganhar créditos pela obra realizada. Ninguém sabe até hoje quem foi aquele rapaz. Se não fosse por João, ele nem teria sido citado. Mas, com certeza, Jesus se lembra dele. Além do mais, vale a pena lembrar um testemunho dado por João Batista, a respeito de Jesus, no capítulo 3, versículo 30:
“É necessário que Ele cresça e que eu diminua.”
Que Jesus use todos os “fulanos” que existem em nossas igrejas para saciar a fome da multidão que ainda não se encontrou com o Senhor. Amém!!!
Joquebede Girão
Juventude Cristã Gileade – Carlito Pamplona.