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Postado em 05 de novembro de 2008


"Ecclesia Reformata et Semper Reformanda Est"
(Igreja Reformada Sempre se Reformando)
Gisbertus Voetius (1589-1676)

No dia 31 de outubro comemoramos 491 anos da Reforma Protestante, pois em 1517 o monge Martin Lutero fixou na Catedral de Witteberg as 95 teses contra a venda das chamadas indulgências. Ao contrário do que muita gente pensa a Reforma não foi um movimento puramente religioso, mas a reformulação de todo um pensamento dominante na época. Ela nos trouxe uma cosmovisão bíblica.

A Reforma, então, foi um movimento de retorno à Palavra de Deus e um resgate do evangelho pregado pelos apóstolos. Foi um movimento que visou trazer a igreja à pureza original do cristianismo segundo o Novo Testamento. Sem sombra de dúvida não houve nenhum fato mais marcante na história da igreja depois do Pentecoste do que a Reforma. Ela trouxe cinco ênfases:

1. Só a Escritura – A Bíblia não é apenas uma fonte da revelação de Deus ao homem, mas a única regra de fé e prática.

2. Só a Fé – A justificação é somente pela fé.

3. Só a Graça – A graça é um dom imerecido de Deus.

4. Só Cristo – Jesus Cristo é o único Salvador e Senhor e não há salvação em nenhum outro nome. Jesus é o caminho para Deus. Ele é a porta do céu. Ele é o pão da vida, a fonte da água viva.

5. Só a Deus toda a glória – Deus não reparte a sua glória com ninguém.

No curso da história Deus sempre levantou homens e mulheres santos e corajosos para desafiar o erro, para refutar os que ensinam falsas doutrinas, deturpando a verdade de Deus e que querem levar homens e mulheres para longe de Deus e de Sua Palavra. Mais do que nunca, nesses dias chamados de Pós-Modernidade, onde se tenta negar a Palavra de Deus e seus valores absolutos, relativizando a vida e a verdade, a igreja precisa de gente com a veia de Lutero, um homem com uma visão que mudou o mundo, para que novas reformas aconteçam. Precisamos de uma Reforma que nos aproxime mais de Deus, defenda a Verdade Bíblica, valorize o ser humano e mude a cultura em que vivemos e não nos deixe perder de vista o Calvário e o amor de Deus.

Precisamos reafirmar a autoridade suprema e infalível das Escrituras, as antigas doutrinas da graça, a soberania de Deus e a centralidade da cruz de Cristo em nossa vida e fé. Somente assim seremos abençoados e sairemos da confusão que toma conta do nosso cristianismo. Somente com uma boa teologia, bíblica e reformada, teremos uma prática cristã sadia e coerente.

Oremos para que o Espírito Santo agente e causador desta Reforma, promova novas Reformas em nós e através de nós, na igreja e através da igreja.

Carinhosamente,
Pr. Carlos Jorge Saldanha


Quem foi Martin Lutero?

Martin Lutero

Martin Lutero nasceu no dia 10 de novembro de 1483 em Eisleben, Alemanha. Preocupado com a salvação, o jovem Martinho Lutero decidiu tornar-se monge. Durante seu estudo, sempre o acompanhava a pergunta: "Como posso conseguir o amor e o perdão de Deus?" Lutero foi descobrindo ao longo dos seus estudos que para ganhar o perdão de Deus ninguém precisava castigar-se ou fazer boas obras, mas somente ter fé em Deus. Com isso, ele não estava inventando uma doutrina, mas retomando pensamentos bíblicos importantes que estavam à margem da vida da igreja naquele momento.

Lutero decidiu tornar públicas essas idéias e elaborou 95 teses, reunindo o mais importante de sua (re)descoberta teológica, e fixou-as na porta da igreja do castelo de Wittenberg, no dia 31 de outubro de 1517. Ele pretendia abrir um debate para uma avaliação interna da Igreja, pois acreditava que a Igreja precisava ser renovada a partir do Evangelho de Jesus Cristo.

Em pouco tempo toda a Alemanha tomou conhecimento do conteúdo dessas teses e elas espalharam-se também pelo resto da Europa. Embora tivesse sido pressionado de muitas formas - excomungado e cassado - para abandonar suas idéias e os seus escritos, Lutero manteve suas convicções. Suas idéias atingiram rapidamente o povo e essa divulgação foi facilitada pelo recém inventado sistema de impressão de textos em série.

O Movimento da Reforma espalhou-se pela Europa. Em 1530 os líderes protestantes escreveram a "Confissão de Augsburgo", resumindo os elementos doutrinários fundamentais do luteranismo.

Em 1546, no dia 18 de fevereiro, aos 62 anos, Martinho Lutero faleceu. Finalmente, em 1555, o Imperador reconheceu que haviam duas diferentes confissões na Alemanha: a Católica e a Luterana.